Dados de ERB podem confirmar ou derrubar a presença de alguém numa cena de crime. Por anos, só a investigação tinha ferramenta pra analisar isso rápido. Isso mudou, e poucos advogados sabem.
Toda planilha de dados de ERB (estação rádio base) que chega num processo carrega uma pergunta em aberto: onde exatamente o dispositivo do seu cliente estava, hora a hora, no dia do fato. É um dos tipos de prova mais decisivos do processo penal, capaz de sustentar ou de derrubar sozinho uma tese de presença em cena de crime.
E também é, historicamente, um dos tipos de prova mais evitados pela defesa, porque analisar aquilo na mão é um trabalho brutal.
Por que quase ninguém analisa isso a fundo
Cruzar cada registro de conexão com a localização da antena correspondente e plotar isso num mapa, ponto a ponto, é um trabalho que podia consumir um mês inteiro de dedicação pra um único ano de dados. Ferramentas que ajudavam a automatizar esse processo existiram, mas por muito tempo ficaram concentradas nas mãos de quem investiga, não de quem defende. Resultado: o mesmo tipo de prova, tecnicamente rico e difícil de contestar sem ferramenta adequada, disponível de forma automatizada só de um lado do processo.
O que mudou
Ferramentas de inteligência artificial hoje conseguem processar esse tipo de planilha, identificar cada antena, calcular ângulo e potência de sinal quando disponíveis, e entregar um relatório interativo, navegável, com controle de data e horário. O que era semana de trabalho manual vira minutos, com um resultado visual que comunica muito mais rápido pra um julgador ou pra um corpo de jurados do que uma tabela extensa de coordenadas.
Só que essa velocidade exige um cuidado que a maioria ignora: dado de ERB indica a localização aproximada da antena, não a localização exata do aparelho. Apresentar isso com mais precisão do que os dados sustentam é o tipo de erro que compromete a credibilidade de toda a análise.
Analisar ERB deixou de ser um privilégio da investigação. Mas o profissional que sabe transformar essa planilha em argumento técnico, sem exagerar na precisão que ela entrega, tem uma vantagem estratégica real. Na comunidade Tribunal Digital, eu ensino o passo a passo completo: como estruturar a instrução pra IA, como filtrar e cruzar esses dados com outras provas do processo, e como blindar essa análise antes de ela virar peça. Faça parte do Tribunal Digital.

